
1977. O ano em que o punk dominou o mundo. Clash, Sex Pistols, Ramones um ano antes: todos os grandes lançaram seus discos perfeitos de estréia e mexeram com a estrutura da música mundial. Mas um grupo de Cleveland, conhecido pela fúria e desordem de seus shows no CBGB também apareceu com sua estréia naquele ano: o quinteto Dead Boys.
Young, Loud and Snotty, produzido com maestria por Genya Ravan, abre com um clássico punk absoluto, “Sonic Reducer”, música que o Pearl Jam costumava tocar ao vivo. Com um refrão marcante, a produção coloca um phaser na bateria e foca no riff cortante. Um clássico do estilo. Stiv Bators despeja toda sua fúria niilista no vocal, com a primeira frase entregando todo o espírito punk que está por vir: “I don’t need anyone / don’t need no mom and dad”.
Mas se você está achando que o Dead Boys limita-se a repetir clichês punk, eles corropem esta idéia já na segunda faixa, “All this and more”, com velocidade reduzida e melodia bem construída, um rock potente, malicioso, com uma sensualidade bruta não encontrada em nenhum dos outros representantes do estilo. Em “What love is”, terceira faixa, eles fazem mais um clássico punk, desordenadamente furioso e divertido.
E a tônica do disco é exatamente esta: o quinteto entrega um rock extremo, solto, punk na essência do negócio, como nenhuma outra banda da época conseguiu. “Not anymore”, por exemplo, é uma quase-balada, de letra densa e refrão para ser cantado a plenos pulmões; já “I need lunch” ou a porradíssima (talvez a música mais violenta de 1977) “Caught with the meat in your mouth” mostram toda a fúria podre e veloz da banda.
Young, Loud and Snotty é um marco. Disco perfeito para você que gosta do rock mais viril e direto ou para quem gosta do punk clássico. Stiv Bators e sua turma talvez tenham feito o disco mais sujo daquele ano, mais verdadeiro do que o Sex Pistols, mais sujo que seus amigos nova-iorquinos do Ramones e mais violento do que o genial The Clash.
Para quem leu o genial livro Mate-me por favor, algumas lembranças do quão brutais eram Johnny Blitz (bateria), Stiv Bators (vocal), Jimmy Zero (guitarra), Cheetah Chrome (guitarra) e Jeff Magnum (baixo) podem vir à mente. Mas nada pode preparar para a diversão tosca que este disco produz em um amante do estilo. Bom e velho rock and roll é o cacete: Young, Loud and Snotty, baby.