The Killers e Black Rebel Motorcycle Club – Wembley Arena – 25.02.2007. London – UK.
por MOX - 17/04/2007 - 20:34

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A vida tem seus altos e baixos, mas às vezes nos proporciona momentos únicos de sorte. Dirigia-me faceirão para a Wembley Arena para acompanhar o show do Killers – depois do ótimo [e polêmico] “Sam’s town” (2006) – já contente por conhecer no lucro o estádio de Wembley [nas horas vagas, sou um fanático por futebol] e, quando entro na Arena, me deparo com um pano no palco com uma caveira e dois ossos cruzados, acompanhados da inscrição: BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB.

Comecei a pensar: será que o BRMC vai tocar daqui a uns dias? Estava sabendo que a banda gravava seu quarto álbum, depois do aclamado “Howl” (2005), mas era simplesmente MUITO BARBADA assistir os caras assim, sem nem sequer saber. Aliás, o BRMC, na minha modesta opinião, está no mesmo nível dos Killers. Sorte! De vez em quando rola.

Com a Arena próxima da lotação, o BRMC começou a tocar e mandou bala em um repertório misto: algumas canções do novo álbum, inclusive a que abriu o show, e um pouco de “BRMC” [o disco] e “Howl”. Tocaram as esplêndidas “Red eyes and tears” [um shoegaze de prima], “Spread your love” [bluezeira dark], uma versão eletrificada da melhor faixa de Howl, “Simpathetic Noose”, ainda a bela balada “Howl”, que conquistou alguns ouvidos ao redor. Finalizaram o show com a paulada “Whatever happen to my rock n’ roll”. Ao longo do show, apresentaram mais ou menos três temas novos [não me lembro exatamente, provavelmente já estava bêbado — hoje em dia certamente saberia o título], que, ao que parecia, retomam um BRMC elétrico, depois de um disco semi-acústico [expectativas confirmadas].

Mas a patuléia queria mesmo o The Killers. Eu e mais dois ou três gatos pingados conheciam de fato o BRMC, o que tornou o show um pouco fora de contexto. Não estava lá, mas posso imaginar que foi algo como o Franz Ferdinand abrindo para o U2.

Minutos de expectativa, platéia lotada, e… um telão com o deserto de Vegas começa o show já mostrando o que a banda quer ser: arena até os ossos. U2 [cujos vestígios no som, desculpem, são muito pequenos] e Queen [esses sim, influência]. Quando a banda entra no palco, uma chuva de papéis cai sobre a platéia. Brandon Flowers, que mantém o bigode, se veste como Freddie Mercury e até o guitarrista parece o Brian May, com sua cabeleira vasta e crespa.

A banda engata “Sam’s town”, a abertura roqueira do álbum, e a platéia vai ao delírio. “Enterlude” é cantada em uníssono, formando uma bela cena: “we hope, you enjoy your stay / it’s good to have you with us, even if it’s just for today”. Faz sentido. “When you were young” é pedida certa, no alvo. Com seu riff encorpado, provoca reações descontroladas na platéia. Assim como “Bones”, canção 100% Vegas.

E então recomeçam com os clássicos de “Hot Fuss” (2004). Clássicos? Não sei, mas a platéia conhecia todos. “Jenny was a friend of mine” e “Smile like you mean it” [minha favorita dos Killers], delirantes. “Somebody told me”, hit certo, provocou um surto de dança e gritos desesperados na platéia, enquanto Brendan fazia questão de se afirmar como crooner caminhando de um lado para o outro do palco, gesticulando, pulando e indo até seu sintetizador.

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As músicas mais fracas de “Sam’s town”, “Uncle Johnny” e “Bling (confessions for a king)”, tentaram abocanhar um clima de arena, sem o mesmo sucesso de outra canção sobre a qual daqui a pouco irei falar. Em compensação, o novo single “Read my mind”, funcionou magistralmente, provocando ovação geral. Lembram, quando indiquei os melhores do ano, que disse que “When you were young”, “For reasons unknown” e “Read my mind” não deviam nada aos singles de Hot Fuss? A última tem tocado furiosamente nas rádios britânicas.

A banda realmente queria tocar todas as músicas de “Sam’s town”, então embalou com as menos energéticas [não ruins, mas simplesmente não tão próprias para seu ideal de arena] “Why do I keep counting” e “My List”. Do álbum anterior, ainda as clássicas “On Top” e “Mr. Brightside”, que fez todo mundo soltar seus últimos demônios. E ainda a b-side “Glamorous indie rock’n’roll”.

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Pequena pausa. Pelos meus cálculos naquela hora [levemente prejudicados, em face da cerveja], faltavam “This river is wild” e “For reasons unknown”, imprescindíveis, e “All these things that I’ve done”. E realmente foi essa a trinca tocada, na ordem referida, para fechar alucinadamente o show. A última gerou a platéia cantando em uníssono: “I got soul, but I’m not a soldier”, no momento mais forte do show. Com Brandon Flowers ao piano, o espetáculo se fecha com “Exitlude”.

Além de todo dito, fica o comentário: os Killers sabem muito bem onde erram e onde acertam. A seleção de músicas de “Hot Fuss” foi perfeita, tocando exatamente as melhores do álbum. E, pela ordem do show, fica claro que “For reasons unknown” e “This river is wild” serão os próximos singles, que, somados a “When you were young” e “Bones”, realmente são o melhor de “Sam’s town”. Onde quero chegar com isso? Ora, se a banda sabe exatamente o que faz melhor, provavelmente caminha para uma evolução onde conseguirão depurar do seu som alguns excessos que ainda contém. É um bom indício.

Nota [BRMC]: 7,5.
Nota [The Killers]: 9,0.

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